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Como saber se tem vazamento: o teste do hidrômetro

Como saber se tem vazamento em casa: faça o teste do hidrômetro, da caixa d'água e da descarga passo a passo e entenda o que cada resultado indica.

Por Equipe O Localizador10 min de leitura

Neste artigo
  1. Como ler o hidrômetro
  2. Teste 1: tudo fechado, com o registro aberto
  3. Teste 2: noturno, sem fechar o registro
  4. Teste da caixa d'água
  5. Teste da descarga
  6. Como interpretar o resultado
  7. O teste diz que há vazamento, mas não onde
  8. De quem é a responsabilidade depois do hidrômetro
  9. Quando chamar um especialista
  10. O que fazer agora
  11. Perguntas frequentes
  12. Fontes

A pergunta "como saber se tem vazamento" costuma aparecer depois de um susto na conta de água. Mas você não precisa esperar a fatura para descobrir. O hidrômetro, aquele relógio na frente do imóvel, registra tudo o que passa pelo cano, inclusive o que escapa sem você ver. Com ele e um pouco de paciência dá para fazer, sem custo, um primeiro diagnóstico.

O raciocínio é simples: se ninguém está usando água e o hidrômetro continua marcando, a água está indo para algum lugar. As concessionárias orientam exatamente isso. A Sanepar, do Paraná, resume assim: se o hidrômetro gira mesmo sem uso de água, há indícios de vazamento.

Os testes abaixo dizem se há perda e dão uma pista de em que trecho ela está. Encontrar o ponto exato é outra etapa, tratada mais abaixo.

Como ler o hidrômetro

Ele tem um conjunto de números pretos, que contam os metros cúbicos (m³), e dígitos ou ponteiros vermelhos, que indicam frações do metro cúbico. Para acompanhar o consumo do dia a dia, a Sanepar, por exemplo, orienta a ler os números pretos e ignorar os vermelhos. A diferença entre a leitura de hoje e a de ontem é o consumo em m³. Cada metro cúbico equivale a 1.000 litros.

Nos testes de vazamento, a lógica se inverte: você quer enxergar movimentos pequenos. Por isso, anote todos os dígitos do mostrador, pretos e vermelhos, e observe também o ponteiro ou a estrela pequena que gira quando passa água, se o seu modelo tiver um. Foto da leitura inicial evita dúvida depois.

Teste 1: tudo fechado, com o registro aberto

É o teste principal. A Copasa, concessionária de Minas Gerais, descreve um passo a passo que serve de base para qualquer casa.

  1. Deixe o registro do hidrômetro (o do padrão de entrada) aberto.
  2. Feche bem todas as torneiras e não use nenhum sanitário.
  3. Vede a boia da caixa d'água, levantando-a e prendendo-a com um pedaço de madeira ou barbante, para ela não puxar água da rede.
  4. Desligue o que enche sozinho: máquina de lavar, irrigação automática, enchimento de piscina ou de fonte.
  5. Anote a leitura completa do hidrômetro.
  6. Espere uma hora, sem usar água, e leia de novo.

Se a leitura mudou, há vazamento no trecho alimentado diretamente pela rede, ou seja, entre o hidrômetro e a caixa d'água (o ramal) e nas torneiras ou pontos ligados direto na rede, como a do quintal.

Teste 2: noturno, sem fechar o registro

Quando você não consegue ficar uma hora sem usar água, o teste da noite resolve. O SAAE de Sorocaba publica um roteiro prático:

  1. No fim da noite, depois do último uso de água, aguarde 30 minutos.
  2. Anote todos os números do mostrador, sem fechar o registro.
  3. De manhã, antes de usar qualquer água, anote de novo.

Se os números mudaram, há vazamento, ou alguém usou água na madrugada. Como o registro fica aberto, o teste inclui a caixa e tudo o que ela alimenta, e pega perdas pequenas porque a diferença se acumula por muitas horas.

Teste da caixa d'água

Se o hidrômetro se mexeu no Teste 1, o problema está antes da caixa. Se ficou parado, teste o que vem depois dela. A Copasa usa este método para instalações alimentadas pela caixa:

  1. Vede a boia e feche todas as torneiras.
  2. Não use sanitários durante o teste.
  3. Marque o nível da água na parede da caixa, com lápis ou fita.
  4. Confira depois de uma hora.

Se o nível baixou, há vazamento na tubulação, nos sanitários ou na própria caixa. O SAAE de Sorocaba sugere uma variação: fechar o registro do cavalete, marcar o nível a lápis e voltar após pelo menos duas horas. Nesse caso a caixa fica isolada da rede e qualquer queda de nível é perda interna.

Olhe também o extravasor, o "cano ladrão". Segundo o Manual do Cliente da Sabesp, os vazamentos visíveis são mais frequentes no extravasor da caixa, nas torneiras e na descarga. Se o cano ladrão pinga ou escorre, a boia provavelmente não está fechando direito.

Teste da descarga

Descarga que não veda gasta água em silêncio e é causa comum de hidrômetro girando "sem motivo". Há dois testes simples:

  • Teste da cinza ou do vaso vazio (Copasa): jogue cinza no vaso. Se ela ficar depositada no fundo, não há vazamento. Outra opção é esvaziar e secar o vaso: se ele voltar a encher sem que você dê descarga, há vazamento.
  • Teste dos copos (Sabesp): marque o nível da água na caixa de descarga, retire três a quatro copos de água, faça uma nova marca e aguarde no mínimo uma hora. Se a água voltar ao nível inicial, a caixa está repondo o que escapa.

Para ter uma noção de grandeza, a mesma Sabesp informa que uma torneira gotejando desperdiça 40 litros por dia, e que um filete de água correndo chega a 130 litros por dia.

Como interpretar o resultado

Faça os testes em sequência e compare. A tabela resume o que cada resultado costuma indicar:

TesteResultadoO que indicaOnde está o problema provável
Tudo fechado, registro aberto, boia vedadaHidrômetro andouPerda no trecho ligado direto na redeRamal entre hidrômetro e caixa, torneira de jardim ou de uso externo
Mesmo teste, boia vedadaHidrômetro paradoSem perda antes da caixaInvestigar o que vem depois dela
Marcação do nível da caixaNível baixouPerda na caixa ou na tubulação que sai delaCaixa, barrilete, tubos internos, sanitários
Hidrômetro parado só com a boia vedada e andando com ela soltaPerda do lado da caixaA água entra na caixa e escapaExtravasor, boia, caixa ou tubulação interna
Cinza ou vaso vazio, coposÁgua volta a encherVálvula ou caixa de descarga não vedaVedação ou mecanismo da descarga

A linha 4 é uma dedução dos outros testes: se a leitura só muda com a boia livre, a água entra no reservatório e escapa dele. E um teste sozinho pode enganar, por exemplo se alguém usou o chuveiro durante a hora de espera.

Se o resultado for positivo e nada aparecer, leia sobre o vazamento oculto. Em prédios, o raciocínio muda por causa dos reservatórios e colunas comuns: veja vazamento em condomínio.

O teste diz que há vazamento, mas não onde

O teste do hidrômetro é uma triagem: confirma a perda e indica o trecho, mas não aponta a parede, o piso ou o metro de cano. Para achar o lugar exato sem quebrar o imóvel, entram métodos de detecção:

  • Geofone: equipamento que amplifica o ruído da água escapando, colocado na superfície sobre a tubulação. Há versões eletrônicas com amplificação digital.
  • Câmera térmica (termografia): mostra diferenças de temperatura na parede ou no piso. Um estudo publicado na revista Ambiente Construído (UFRGS/ANTAC) concluiu que a técnica pode ser eficaz para localizar focos de infiltração oculta, desde que o revestimento não seja impermeável.
  • Gás traçador: usado quando o som não ajuda, como em trincas finas. O fabricante Sewerin descreve uma mistura de 95% de nitrogênio e 5% de hidrogênio, que sai pelo vazamento e é detectada na superfície por um sensor.
  • Teste de pressão: isola um trecho, pressuriza e observa se a pressão se mantém.

Nenhum método acha 100% dos vazamentos: tubulações de acesso difícil e perdas intermitentes podem passar despercebidas. O artigo caça-vazamentos: como funcionam geofone, câmera térmica, gás traçador e o laudo explica cada técnica com mais detalhe.

De quem é a responsabilidade depois do hidrômetro

A regra geral é que a concessionária cuida da rede pública e do ramal até o hidrômetro, e o que vem depois é do imóvel. A Sanepar, do Paraná, deixa isso escrito: depois do hidrômetro, a manutenção é do cliente, a companhia e seus terceirizados não realizam investigação de vazamento dentro da casa do cliente e o conserto do vazamento interno é providenciado e pago por quem mora ou é dono do imóvel. Confira as regras da concessionária da sua cidade, mas a lógica costuma ser a mesma.

O que passa pelo hidrômetro é consumo registrado e cobrado, mesmo que escape por um cano furado. Se o vazamento estiver na calçada ou no cavalete, antes do medidor, avise a concessionária pelo canal de atendimento dela: esse trecho é responsabilidade da empresa.

Sobre a fatura já emitida, em geral é possível pedir uma revisão ou análise da conta (na Sanepar, por exemplo, o serviço se chama "Análise de Conta"). A concessionária avalia caso a caso, então guarde notas, fotos e comprovantes do conserto. Para entender melhor o impacto no bolso, veja conta de água alta: causas e o que fazer.

Quando chamar um especialista

Chame um profissional quando:

  • o hidrômetro continua girando nos testes e você não vê onde a água sai;
  • há mancha de umidade, mofo ou piso fofo sem causa aparente (a Copasa também cita paredes molhadas, terreno molhado e piso fofo como sinais);
  • o vazamento parece estar embutido na parede, sob o piso ou enterrado;
  • você quer um laudo para seguro, acordo com vizinho, condomínio ou construtora;
  • a dúvida é entre vazamento e infiltração: veja infiltração ou vazamento.

É o trabalho das unidades da rede O Localizador: localizar o ponto antes de qualquer abertura. Para pedir atendimento, use o formulário da O Localizador; a rede verifica qual unidade atende o seu endereço.

O que fazer agora

Um roteiro curto para hoje:

  1. Localize o hidrômetro e tire uma foto do mostrador inteiro.
  2. Feche torneiras, desligue o que enche sozinho e vede a boia da caixa.
  3. Espere uma hora e fotografe de novo. Compare todos os dígitos.
  4. Se mudou, repita sem a boia vedada para saber de que lado está a perda.
  5. Marque o nível da caixa e confira depois de uma hora.
  6. Faça o teste do cinza ou dos copos na descarga.
  7. Olhe o extravasor e as torneiras externas.
  8. Se achar o defeito (vedação ou boia), conserte e repita o teste.
  9. Se o hidrômetro continuar andando, anote horários e leituras e procure um especialista.
  10. Guarde fotos, leituras e notas do conserto para pedir a análise da conta.

Perguntas frequentes

Como saber se tem vazamento sem chamar ninguém?

Com tudo fechado e a boia da caixa vedada, anote a leitura do hidrômetro, espere uma hora e leia de novo. Se os números mudaram, há perda. Concessionárias como a Sanepar orientam que o hidrômetro girando sem uso de água é indício de vazamento. Depois, os testes da caixa e da descarga ajudam a dizer em que trecho ela está.

O hidrômetro girando sempre significa vazamento?

Não necessariamente. Ele também gira se alguém usa água, ou se algo enche sozinho, como máquina de lavar, irrigação ou boia de caixa. Por isso o teste exige fechar tudo e vedar a boia antes. Se mesmo assim o ponteiro se mexe, a chance de vazamento é grande.

Quem paga a água do vazamento dentro de casa?

Em geral, quem usa o imóvel, porque o que passa pelo hidrômetro é consumo registrado. Concessionárias como a Sanepar informam que a manutenção depois do medidor é do cliente e que não fazem investigação de vazamento dentro da casa. Em geral é possível pedir a análise da conta, e a concessionária avalia cada caso.

O teste do hidrômetro mostra onde está o vazamento?

Ele mostra se há perda e ajuda a restringir o trecho (antes da caixa, depois dela ou na descarga), mas não o ponto exato. Para isso se usam geofone, câmera térmica, gás traçador ou teste de pressão. Nenhum método garante achar todos os vazamentos, principalmente os intermitentes ou de acesso difícil.

Fontes

  1. Sanepar. Informações e orientações (vazamentos). Disponível em: www.sanepar.com.br/informacoes-e-orientacoes
  2. Sanepar. Cliente deve ficar atento para conter vazamentos dentro do imóvel. 2016. Disponível em: www.sanepar.com.br/noticias/cliente-deve-ficar-atento-para-conter-vazamentos-dentro-do-imovel
  3. Sanepar. Meu consumo. Disponível em: www.sanepar.com.br/meu-consumo
  4. Sanepar. Manutenção de serviços de água. Disponível em: www.sanepar.com.br/manutencao-servicos-agua
  5. Sanepar. Problemas com fatura. Disponível em: www.sanepar.com.br/problemas-com-fatura
  6. Copasa. Vazamentos internos (Copasa Orienta). Disponível em: copasa.com.br/wps/wcm/connect/site-copasa-conteudos/internet/copasa-orienta/conteudos/vazamentos-e-desperdicios
  7. Sabesp. Manual do Cliente. 2021. Disponível em: www.sabesp.com.br/site/uploads/file/asabesp_doctos/manual_cliente.pdf
  8. SAAE Sorocaba. Consumo alto: teste de vazamento (folheto). Disponível em: www.saaesorocaba.com.br/arquivos/panfletos/consumo-alto-teste-de-vazamento.pdf
  9. Santos, Rocha e Tavares. Utilização da termografia infravermelha para detecção de focos de umidade em paredes internas de edificações. Ambiente Construído, v. 19, n. 1, 2019. Disponível em: seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/view/80882
  10. Sewerin. VARIOTEC 460 Tracergas. Disponível em: www.sewerin.com/en/products/water/tracer-gas/variotec-460-tracergas

Assuntos:

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Vazamento escondido se acha com método, não com marreta.

Geofone, câmera térmica, gás traçador e testes de pressão para marcar o ponto antes de abrir. Laudo técnico quando você precisar comprovar a origem.