Neste artigo
- Como ler o hidrômetro
- Teste 1: tudo fechado, com o registro aberto
- Teste 2: noturno, sem fechar o registro
- Teste da caixa d'água
- Teste da descarga
- Como interpretar o resultado
- O teste diz que há vazamento, mas não onde
- De quem é a responsabilidade depois do hidrômetro
- Quando chamar um especialista
- O que fazer agora
- Perguntas frequentes
- Fontes
A pergunta "como saber se tem vazamento" costuma aparecer depois de um susto na conta de água. Mas você não precisa esperar a fatura para descobrir. O hidrômetro, aquele relógio na frente do imóvel, registra tudo o que passa pelo cano, inclusive o que escapa sem você ver. Com ele e um pouco de paciência dá para fazer, sem custo, um primeiro diagnóstico.
O raciocínio é simples: se ninguém está usando água e o hidrômetro continua marcando, a água está indo para algum lugar. As concessionárias orientam exatamente isso. A Sanepar, do Paraná, resume assim: se o hidrômetro gira mesmo sem uso de água, há indícios de vazamento.
Os testes abaixo dizem se há perda e dão uma pista de em que trecho ela está. Encontrar o ponto exato é outra etapa, tratada mais abaixo.
Como ler o hidrômetro
Ele tem um conjunto de números pretos, que contam os metros cúbicos (m³), e dígitos ou ponteiros vermelhos, que indicam frações do metro cúbico. Para acompanhar o consumo do dia a dia, a Sanepar, por exemplo, orienta a ler os números pretos e ignorar os vermelhos. A diferença entre a leitura de hoje e a de ontem é o consumo em m³. Cada metro cúbico equivale a 1.000 litros.
Nos testes de vazamento, a lógica se inverte: você quer enxergar movimentos pequenos. Por isso, anote todos os dígitos do mostrador, pretos e vermelhos, e observe também o ponteiro ou a estrela pequena que gira quando passa água, se o seu modelo tiver um. Foto da leitura inicial evita dúvida depois.
Teste 1: tudo fechado, com o registro aberto
É o teste principal. A Copasa, concessionária de Minas Gerais, descreve um passo a passo que serve de base para qualquer casa.
- Deixe o registro do hidrômetro (o do padrão de entrada) aberto.
- Feche bem todas as torneiras e não use nenhum sanitário.
- Vede a boia da caixa d'água, levantando-a e prendendo-a com um pedaço de madeira ou barbante, para ela não puxar água da rede.
- Desligue o que enche sozinho: máquina de lavar, irrigação automática, enchimento de piscina ou de fonte.
- Anote a leitura completa do hidrômetro.
- Espere uma hora, sem usar água, e leia de novo.
Se a leitura mudou, há vazamento no trecho alimentado diretamente pela rede, ou seja, entre o hidrômetro e a caixa d'água (o ramal) e nas torneiras ou pontos ligados direto na rede, como a do quintal.
Teste 2: noturno, sem fechar o registro
Quando você não consegue ficar uma hora sem usar água, o teste da noite resolve. O SAAE de Sorocaba publica um roteiro prático:
- No fim da noite, depois do último uso de água, aguarde 30 minutos.
- Anote todos os números do mostrador, sem fechar o registro.
- De manhã, antes de usar qualquer água, anote de novo.
Se os números mudaram, há vazamento, ou alguém usou água na madrugada. Como o registro fica aberto, o teste inclui a caixa e tudo o que ela alimenta, e pega perdas pequenas porque a diferença se acumula por muitas horas.
Teste da caixa d'água
Se o hidrômetro se mexeu no Teste 1, o problema está antes da caixa. Se ficou parado, teste o que vem depois dela. A Copasa usa este método para instalações alimentadas pela caixa:
- Vede a boia e feche todas as torneiras.
- Não use sanitários durante o teste.
- Marque o nível da água na parede da caixa, com lápis ou fita.
- Confira depois de uma hora.
Se o nível baixou, há vazamento na tubulação, nos sanitários ou na própria caixa. O SAAE de Sorocaba sugere uma variação: fechar o registro do cavalete, marcar o nível a lápis e voltar após pelo menos duas horas. Nesse caso a caixa fica isolada da rede e qualquer queda de nível é perda interna.
Olhe também o extravasor, o "cano ladrão". Segundo o Manual do Cliente da Sabesp, os vazamentos visíveis são mais frequentes no extravasor da caixa, nas torneiras e na descarga. Se o cano ladrão pinga ou escorre, a boia provavelmente não está fechando direito.
Teste da descarga
Descarga que não veda gasta água em silêncio e é causa comum de hidrômetro girando "sem motivo". Há dois testes simples:
- Teste da cinza ou do vaso vazio (Copasa): jogue cinza no vaso. Se ela ficar depositada no fundo, não há vazamento. Outra opção é esvaziar e secar o vaso: se ele voltar a encher sem que você dê descarga, há vazamento.
- Teste dos copos (Sabesp): marque o nível da água na caixa de descarga, retire três a quatro copos de água, faça uma nova marca e aguarde no mínimo uma hora. Se a água voltar ao nível inicial, a caixa está repondo o que escapa.
Para ter uma noção de grandeza, a mesma Sabesp informa que uma torneira gotejando desperdiça 40 litros por dia, e que um filete de água correndo chega a 130 litros por dia.
Como interpretar o resultado
Faça os testes em sequência e compare. A tabela resume o que cada resultado costuma indicar:
| Teste | Resultado | O que indica | Onde está o problema provável |
|---|---|---|---|
| Tudo fechado, registro aberto, boia vedada | Hidrômetro andou | Perda no trecho ligado direto na rede | Ramal entre hidrômetro e caixa, torneira de jardim ou de uso externo |
| Mesmo teste, boia vedada | Hidrômetro parado | Sem perda antes da caixa | Investigar o que vem depois dela |
| Marcação do nível da caixa | Nível baixou | Perda na caixa ou na tubulação que sai dela | Caixa, barrilete, tubos internos, sanitários |
| Hidrômetro parado só com a boia vedada e andando com ela solta | Perda do lado da caixa | A água entra na caixa e escapa | Extravasor, boia, caixa ou tubulação interna |
| Cinza ou vaso vazio, copos | Água volta a encher | Válvula ou caixa de descarga não veda | Vedação ou mecanismo da descarga |
A linha 4 é uma dedução dos outros testes: se a leitura só muda com a boia livre, a água entra no reservatório e escapa dele. E um teste sozinho pode enganar, por exemplo se alguém usou o chuveiro durante a hora de espera.
Se o resultado for positivo e nada aparecer, leia sobre o vazamento oculto. Em prédios, o raciocínio muda por causa dos reservatórios e colunas comuns: veja vazamento em condomínio.
O teste diz que há vazamento, mas não onde
O teste do hidrômetro é uma triagem: confirma a perda e indica o trecho, mas não aponta a parede, o piso ou o metro de cano. Para achar o lugar exato sem quebrar o imóvel, entram métodos de detecção:
- Geofone: equipamento que amplifica o ruído da água escapando, colocado na superfície sobre a tubulação. Há versões eletrônicas com amplificação digital.
- Câmera térmica (termografia): mostra diferenças de temperatura na parede ou no piso. Um estudo publicado na revista Ambiente Construído (UFRGS/ANTAC) concluiu que a técnica pode ser eficaz para localizar focos de infiltração oculta, desde que o revestimento não seja impermeável.
- Gás traçador: usado quando o som não ajuda, como em trincas finas. O fabricante Sewerin descreve uma mistura de 95% de nitrogênio e 5% de hidrogênio, que sai pelo vazamento e é detectada na superfície por um sensor.
- Teste de pressão: isola um trecho, pressuriza e observa se a pressão se mantém.
Nenhum método acha 100% dos vazamentos: tubulações de acesso difícil e perdas intermitentes podem passar despercebidas. O artigo caça-vazamentos: como funcionam geofone, câmera térmica, gás traçador e o laudo explica cada técnica com mais detalhe.
De quem é a responsabilidade depois do hidrômetro
A regra geral é que a concessionária cuida da rede pública e do ramal até o hidrômetro, e o que vem depois é do imóvel. A Sanepar, do Paraná, deixa isso escrito: depois do hidrômetro, a manutenção é do cliente, a companhia e seus terceirizados não realizam investigação de vazamento dentro da casa do cliente e o conserto do vazamento interno é providenciado e pago por quem mora ou é dono do imóvel. Confira as regras da concessionária da sua cidade, mas a lógica costuma ser a mesma.
O que passa pelo hidrômetro é consumo registrado e cobrado, mesmo que escape por um cano furado. Se o vazamento estiver na calçada ou no cavalete, antes do medidor, avise a concessionária pelo canal de atendimento dela: esse trecho é responsabilidade da empresa.
Sobre a fatura já emitida, em geral é possível pedir uma revisão ou análise da conta (na Sanepar, por exemplo, o serviço se chama "Análise de Conta"). A concessionária avalia caso a caso, então guarde notas, fotos e comprovantes do conserto. Para entender melhor o impacto no bolso, veja conta de água alta: causas e o que fazer.
Quando chamar um especialista
Chame um profissional quando:
- o hidrômetro continua girando nos testes e você não vê onde a água sai;
- há mancha de umidade, mofo ou piso fofo sem causa aparente (a Copasa também cita paredes molhadas, terreno molhado e piso fofo como sinais);
- o vazamento parece estar embutido na parede, sob o piso ou enterrado;
- você quer um laudo para seguro, acordo com vizinho, condomínio ou construtora;
- a dúvida é entre vazamento e infiltração: veja infiltração ou vazamento.
É o trabalho das unidades da rede O Localizador: localizar o ponto antes de qualquer abertura. Para pedir atendimento, use o formulário da O Localizador; a rede verifica qual unidade atende o seu endereço.
O que fazer agora
Um roteiro curto para hoje:
- Localize o hidrômetro e tire uma foto do mostrador inteiro.
- Feche torneiras, desligue o que enche sozinho e vede a boia da caixa.
- Espere uma hora e fotografe de novo. Compare todos os dígitos.
- Se mudou, repita sem a boia vedada para saber de que lado está a perda.
- Marque o nível da caixa e confira depois de uma hora.
- Faça o teste do cinza ou dos copos na descarga.
- Olhe o extravasor e as torneiras externas.
- Se achar o defeito (vedação ou boia), conserte e repita o teste.
- Se o hidrômetro continuar andando, anote horários e leituras e procure um especialista.
- Guarde fotos, leituras e notas do conserto para pedir a análise da conta.
Perguntas frequentes
Como saber se tem vazamento sem chamar ninguém?
Com tudo fechado e a boia da caixa vedada, anote a leitura do hidrômetro, espere uma hora e leia de novo. Se os números mudaram, há perda. Concessionárias como a Sanepar orientam que o hidrômetro girando sem uso de água é indício de vazamento. Depois, os testes da caixa e da descarga ajudam a dizer em que trecho ela está.
O hidrômetro girando sempre significa vazamento?
Não necessariamente. Ele também gira se alguém usa água, ou se algo enche sozinho, como máquina de lavar, irrigação ou boia de caixa. Por isso o teste exige fechar tudo e vedar a boia antes. Se mesmo assim o ponteiro se mexe, a chance de vazamento é grande.
Quem paga a água do vazamento dentro de casa?
Em geral, quem usa o imóvel, porque o que passa pelo hidrômetro é consumo registrado. Concessionárias como a Sanepar informam que a manutenção depois do medidor é do cliente e que não fazem investigação de vazamento dentro da casa. Em geral é possível pedir a análise da conta, e a concessionária avalia cada caso.
O teste do hidrômetro mostra onde está o vazamento?
Ele mostra se há perda e ajuda a restringir o trecho (antes da caixa, depois dela ou na descarga), mas não o ponto exato. Para isso se usam geofone, câmera térmica, gás traçador ou teste de pressão. Nenhum método garante achar todos os vazamentos, principalmente os intermitentes ou de acesso difícil.
Fontes
- Sanepar. Informações e orientações (vazamentos). Disponível em: www.sanepar.com.br/informacoes-e-orientacoes
- Sanepar. Cliente deve ficar atento para conter vazamentos dentro do imóvel. 2016. Disponível em: www.sanepar.com.br/noticias/cliente-deve-ficar-atento-para-conter-vazamentos-dentro-do-imovel
- Sanepar. Meu consumo. Disponível em: www.sanepar.com.br/meu-consumo
- Sanepar. Manutenção de serviços de água. Disponível em: www.sanepar.com.br/manutencao-servicos-agua
- Sanepar. Problemas com fatura. Disponível em: www.sanepar.com.br/problemas-com-fatura
- Copasa. Vazamentos internos (Copasa Orienta). Disponível em: copasa.com.br/wps/wcm/connect/site-copasa-conteudos/internet/copasa-orienta/conteudos/vazamentos-e-desperdicios
- Sabesp. Manual do Cliente. 2021. Disponível em: www.sabesp.com.br/site/uploads/file/asabesp_doctos/manual_cliente.pdf
- SAAE Sorocaba. Consumo alto: teste de vazamento (folheto). Disponível em: www.saaesorocaba.com.br/arquivos/panfletos/consumo-alto-teste-de-vazamento.pdf
- Santos, Rocha e Tavares. Utilização da termografia infravermelha para detecção de focos de umidade em paredes internas de edificações. Ambiente Construído, v. 19, n. 1, 2019. Disponível em: seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/view/80882
- Sewerin. VARIOTEC 460 Tracergas. Disponível em: www.sewerin.com/en/products/water/tracer-gas/variotec-460-tracergas



